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Marcelo é mecânico desde os dezoito anos. Sete meses atrás, o carro desceu em cima dos braços dele. Não deu pra salvar nenhum dos dois.
E mesmo assim, ele não parou de trabalhar.
Todo dia ele ainda aparece na oficina. Aperta parafuso de roda com o pé, calibra pneu. De motor, só de escutar ele sabe onde tá o problema.
E toda noite volta pra casa, pra mãe de 81 anos que já não lembra das coisas. Tem dia que ela olha pro filho e pergunta: moço, você é quem?
Era Marcelo quem dava o remédio, penteava o cabelo dela, levava no posto. Hoje ele não segura nem o pente. Uma vizinha vem de manhã dar o banho, o resto do dia são só os dois.
O doutor foi direto: se as próteses não vierem em até um ano, o ombro endurece e Marcelo não aprende mais a usar, restam apenas cinco.
O pessoal da oficina tentou ajudar. As próteses custam mais do que todos eles juntos conseguem levantar.
O que Marcelo não alcança sozinho dessa vez são as próteses, é o tempo delas.
Quem quiser fazer parte dessa história, também pode.
Tudo pode começar a mudar aqui embaixo: